Saudações,
Após ler inúmeros posts de amigos sobre como se deu a iniciação no Magic, criei a coragem/audácia de escrever sobre o meu início
também, até mesmo porque, parafraseando meu amigo Dimmy “temos que mostrar para os iniciantes que todo mundo pode conseguir competir no Magic” (ou algo parecido DK, desculpe pelas modificações).
Sempre fui um apaixonado por jogos de estratégia. Antes de conhecer o Magic eu joguei xadrez, damas, War entre outros, dentre eles até mesmo Spellfire, um jogo de card games conforme Magic (bem divertido). Descobri que me divertia mais pensando do que dependendo unicamente de efeitos aleatórios de sorte (como banco imobiliário, estressava-me).
Enfim, foi em 1996 que meu vizinho me apresentou o jogo, dizia ser muito divertido, e que teria uns caras que ele conhecia que jogavam. Ele trouxe dois decks formados e eu fiquei espantado com duas coisas: 1- dois decks!!! Puxa!!! Até o momento eu só jogava com um monte único de Spellfire (não que o jogo fosse assim); 2- o deck dele era muito profissional, pois ele alegava a todo custo que não perderia com aquele deck (éramos tão profissionais que os decks tinham umas 80 cartas).
Todo o convencimento do meu vizinho parecia ser verdade quando perdi várias partidas seguidas, porém com pouco tempo descobri o motivo. Não sabíamos as regras, e sempre havia modificações no meio da partida, além do deck que eu estava usando ser extremamente ruim. Certo dia, enquanto estava na casa do meu vizinho, peguei suas cartas guardadas em meia caixa de sapato (bons tempos aqueles que éramos inocentes e não utilizávamos netdecks) e formei um deck para mim, enquanto ele não parava de me encher a paciência falando que seria impossível formar um deck com aqueles restos.
UUUUhhuuUUUuu, montei meu primeiro deck, um UW com super combos, senão vejamos, percebi que se usasse “Martyr´s Cause”
(Sacrifice a creature: The next time a source of your choice would deal damage to target creature or player this turn, prevent that damage) com “Wall of Kelp” (Defender (This creature can’t attack.) UU, T: Put a 0/1 blue Plant Wall creature token with defender named Kelp onto the battlefield), poderia sacrificar fichas todo turno e não pegaria dano (imagina um combo com apenas uma carta de cada que ainda dá certo! Não sei, só sei que foi assim). Depois desse deck passei a ganhar todas as partidas, inclusive as arenas com ele e meus irmãos, o que foi motivo pra chacotar dele.
Achei tão interessante o jogo que fomos comprar carta pra mim também. Nessa época só uma banca de revistas na frente do Baloon Center que vendia Magic, estavamos na época de Mirage, e logo no primeiro deck de torneio que comprei me apaixonei pelos basiliscos, pois quando causavam dano matavam qualquer criatura.
Pouco tempo depois conheci o Sérgio Júnior, que também possuia muitas cartas e morava a poucas ruas lá de casa. Foi quando
trocando cartas com ele descobri meu segundo amor no Magic, o Colossus of Sardia (kkkkkkkkkk, esse não vou nem descrever o que faz). Também conheci decks mais fortes, notando que o meu deck era um lixo, pois peguei uma super surra do baralho de Goblins do Sergio Júnior.
Reduzi meus jogos com os vizinhos e irmão, pois queria enfrentar os jogadores mais experientes e melhores (maldito instinto competitivo). Foi quando fui aprendendo as regras do Magic, pois até então só conhecia o que meu vizinho me contava. Montei novos decks, adquiri novas cartas, mas nada que fosse sensacional, tudo muito modesto.
Após um tempo brincando de Magic (anos que não sei precisar), montei um deck de obrigar os oponente a sacrifiarem suas permanentes com as três criaturas de Rishada, voltando com Cavern Harpy, até mesmo possuia quatro portos de rishada (sim, já tive 4). Foi quando participei do meu primeiro campeonato no shopping. Cheguei em um ambiente em que todos pareciam serem amigos, um cara que organizava (não sabia que seria meu futuro amigo Enoque) entre vários caras que nunca havia visto. Logo no primeiro jogo, enquanto me tremia todo, enfrentei um cara branco feito a peste, usando um baralho de Rebeldes, este era o meu presente irmão/amigo (sim, irmão antes de amigo) Daniel Alencar, que simpaticamente me surrou feito cão sem dono, pois não importava quantas permanentes eu mandava ele sacrificar, os rebeldes sempre voltavam (porra! sai decepcionado, minha ideia era massa). Até então o Daniel não passava de um player que me ganhou no campeonato, anos mais tarde o conheci melhor.
Não desanimei, continuei com meus jogos e incitei outros amigos e primos que moravam em São Luis, e até joguei campeonatos estranhos no Maranhão, em que uma dupla enfrentava outra (muitos anos depois surge o dragão de duas cabeças) e chegamos à final, morrendo pra um baralho de silvos.
Voltando a Teresina, soube que um tal de Enoque (grande Enoque) havia montado uma loja com o nome “Arco do Centauro”
(puxa vida! Como eu devo a esta loja) e comecei a frequentar para comprar cartas. Como todo e bom apaixonado pelo jogo, sempre que tinha dinheiro (e eu era bem liso nessa época) visitava a loja para levar uns boosters. Foi quando reencontrei, numa de minhas visitas à loja, o carinha que me surrou com o baralho de rebeldes. Ele andava com uma bata e dizia que fazia radiologia e tinha passado no vestibular de medicina na UFPI, e, assim como eu em Computação na mesma Universidade, havia ficado para o segundo período (acho que no ano de 2000-2001). Descobri que ele morava no Sacy e, como eu morava no Lourival Parente, poderia dar uma carona para ele, desde então sempre ia pra loja comigo.
Não existiu época tão boa quanto àquela em que ia todo mundo no meu Chevette 92 para a Arco do Centauro jogar os campeonatos (Magic também é interação social, com o qual se faz bons amigos), ainda me lembro das brigas de quem estava atrás pra não deixar quem ia na frente abrir os “morcegos”.
Então eu montei um deck de Fogos de Yavmaya para jogar na Arco do Centauro (minha terceira paixão no Magic) logo após a rotação ter derrubado Blastorderma e Explosão de Saprófita, o que indiciava
que meu deck seria uma droga, no entanto com a boa ajuda do Centauro Fantasma, Mestiço Selvagem, Rugido do Vorme e Vorme Arrogante, o deck me rendeu 5 campeonatos em primeiro lugar seguidos, e se não me engano o Daniel foi segundo colocado em 4 ou 5 delas, até que ele montou o deck de oposição e Ninho de Esquilos que quebrou minha hegemonia (mas isso ele conta na história dele).
Conheci outros players na loja que estavam em níveis impensadamente mas altos que o meu (tá até parecendo Dragonball z, sempre aparece alguém mais forte! Mas até hoje aparece) como foi o caso do Mário Cravinhos, mas que não dava atenção ao T2 (sempre aparecendo com deck tosco), só ao T1, em que era o demônio destacado em Teresina, usando até mesmo black lotus.
Chegamos em Odisséia, série que eu achava fraca, mas nos trouxe o Psicatogue (minha quarta e ultima paixão do Magic), com ele joguei partidas épicas na Arco do Centauro e depois no Shopping (sim, a Arco fechou), ganhei inúmeros campeonatos e traumatizei um cara gente boa chamado Maycon que até hoje gasta dinheiro com psicólogo por nunca ganhar uma partida de mim com seu Madness (zoação), mas já estava me afastando do Magic por tempo indeterminado, juntamente com o Daniel. Porém, antes de darmos um tempo no jogo, participamos de um campeonato atípico, pois após me classificar para final, esperei o Daniel aparecer para jogá-la comigo usando seu The Rock, e para minha surpresa apareceu um cara novo chamado Dimmy (estava chegando a nova geração do Magic), a partida foi muito dificil, mas, como eu era muito cabeça dura, coloquei uma matriz amortecedora no side que me garantiu a vitória por 2×1 (sim Dimmy, em resposta à sua trajetória, eu me lembro dessa partida).
Depois de nossa saída do jogo, Dimmy levou o Magic por muito tempo em Teresina, mas eu mal o conhecia, pois estava realmente afastado, só jogava Magic arena com o Bruno careca (outro grande irmão/amigo), Daniel, Enoque e Alfredo. Entretanto, como todo bom apaixonado, jogador de Magic não pára, só dá um tempo, o Daniel veio para mim com uma ideia genial (suhsuhsahuas, filho da mãe, sempre me trazendo de volta para o jogo), ele dizia: “Darlam, os caras vão fazer um Campeonato Regional em Teresina, que dá vaga para o Nacional” e eu interpelava: “mas nós não temos cartas para jogar e nem sabemos mais como está o ambiente”, foi aí que ele me convenceu a voltar (sim, foi um bom tempo afastado) e gastamos quase um absurdo cada um para montar um deck Top totalmente do nada! Só não foi mais caro por que participamos de um quiz que o Dimmy fez num campeonato beneficente, que premiava com cartas promos mandadas pela Devir (rapamos bem a premiação).
Demorou a chegar no meu primeiro regional, mas como minha trajetória foi curta não terei muito a contar do meu bant. Primeira match foi contra o Jonny Willer de Cruel Control que ganhei, depois perdi e ganhei outras que não me lembro bem, mas no final não me classifiquei para o Top 8.
Depois do reional voltei a ficar em Stand Bye, e não continuei com o jogo ao nível de disputar campeonatos e tals (a não ser um
FNM que eu nem sabia o que significava a sigla que joguei no shopping e ganhei). Mas como o mundo dá muitas voltas e nós sempre paramos no Magic, o Daniel (incrível, ele de novo! Suhsauhashus, para quem pensa que eu to mentindo, precisava ver como foi largar Ragnarok por conta dele) veio com outra ideia genial: “Darlam, vamos abrir uma loja de Magic” e eu que sou outro nojento: “vamos! Na hora”, iniciava-se o projeto de abertura da Red Dragon Livraria.
Procuramos muitooooo por um ponto que fosse legal, perto do shopping (do qual fomos expulsos) e que pudesse ser alcançado com um ônibus apenas. Não estava fácil, tanto que não encontramos e juntando com um período de baixa da Devir, que não tinha material para repassar, resolvemos esperar mais. Quando decidimos voltar aos planos, resolvemos que o certo era ir pra dentro do Shopping Riverside no segundo andar. Fizemos o projeto, fomos aprovados, colocamos o orçamento no papel e descobrimos que precisávamos de um outro sócio, nesse diapasão ninguém poderia ser melhor que nosso amigo Bruno Careca, que também não titubiou.
Incrível é que quando tudo parece estar certo o destino (de nome Administração do Shopping) te dá outra rasteira. Não nos foi permitido por mesas para os campeonatos e estavam com medo do barulho que o jogo poderia fazer! Fail, tudo foi por água abaixo!
Menos nossa determinação. Procuramos incansavelmente outro ponto, foi quando encontramos nosso bequinho duas quadras atrás do Riverside. Mas o esforço ainda não tinha acabado, passamos por muita coisa para abrirmos a loja que vocês conhecem hoje! Foi muito tempo, trabalho, investimento (ai como doeu) e dedicação. Aleluia, a loja foi inaugurada e foi um sucesso!
Por fim, agradeço aos leitores que tiveram a paciência de me acompanhar até o final (peço desculpas pelos meus detalhes) eu só tenho algo a dizer: “Foi muito o que passamos, será muito o que ainda iremos passar, mas não tenho a menor previsão de me arrepender, pois foi esse jogo que me trouxe os amigos mais verdadeiros que hoje eu possuo (Daniel e Bruno) assim como todos os outros que não precisam ser mencionados, além da excelente sensação de terminar um dia cansativo de trabalho e encontrar todos os amigos jogando na Red Dragon!!”.
Darlam Porto da Costa
Advogado Militante; Professor de Direito do Trabalho, Direito Tributário e Instituições de Direito Público e Privado; Empresário; Membro Titular da Comissão Intersetorial de Trânsito da OMS/OPAS/PMT e ACIMA DE TUDO: “JOGADOR DE MAGIC”.